Filho solitário: o que devo fazer?

19/12/2016

Quer saber se você tem um filho solitário? Repare bem: ele chega quietinho da escola? Não quer ir ao aniversário do colega? Prefere ficar sozinho no quarto? Na escola sempre lancha sozinho? Se recusa a fazer trabalho em grupo, fala pouco e não participa da aulas?

Se você respondeu sim à maioria dos questionamentos, seu filho pode estar dando sinais de isolamento.

Por trás daquele comportamento impecável da criança que não abre a boca e nunca se mete em confusão, pode existir um filho solitário. Ampará-lo é mais fácil e importante do que você imagina.

Por que a criança se isola?

São muitos os fatores que podem influenciar uma criança a ter tendência a ser solitária. As causas podem ser transitórias, como a separação dos pais, a chegada de um irmão ou a morte de alguém querido.

Os motivos estão também na própria escola, referentes às questões relacionadas com a aprendizagem. Neste caso, são causas permanentes: a criança tem dificuldade em aprender ou é muito inteligente e não consegue se interessar pelas atividades ou pelos colegas. Algumas crianças mais introvertidas, geralmente dotadas de talentos artísticos, têm muita dificuldade de se enturmar.

Há ainda os que se isolam para se proteger, porque são hostilizados pelos demais. É comum, em situações desse tipo, o estudante criar amigos imaginários. Se o mundo real não oferece possibilidades de relacionamento, ele prefere a fantasia. Nesses casos o isolamento é uma decisão pensada.

A solidão também pode ser sinal de timidez e/ou depressão, que se manifestam por meio de uma série de sintomas: dificuldade de expressão, sentimento de culpa, rejeição, falta de motivação, sonolência, irritabilidade e pessimismo.

A criação influencia?

É necessário dizer que os pais costumam ser, em grande medida, responsáveis por essa situação. Por exemplo, quando possuem um comportamento isolado, demonstrando insegurança e timidez, eles podem estar atuando como modelo para o comportamento de seus filhos.

Os pais que também superprotegem seus filhos, que lhes advertem continuamente de todos os perigos, que não lhe permitem participar de muitas experiências novas, por medo de que não seja capaz de manejá-las, dificultam a capacidade dos filhos de desenvolvimento em situações sociais.

Neste sentido, há crianças que acabam isolando-se por comodidade. Quando em casa lhe dão de tudo e todo tipo de facilidade, algumas crianças se acomodam e se afeiçoam cada vez mais às vantagens do lar (geladeira cheia de coisas boas, televisão própria, etc.) e não se preocupam em ampliar seus horizontes.

A falta de segurança em si mesmo é outro dos fatores que dificulta o desenvolvimento social da criança. Assim, ela poderá se sentir recusada, ou pouco querida por seus pais, o que dificulta a confiança em outras pessoas, isto é, ao não se sentir aceita em sua família considerará igualmente difícil ser aceito pelos demais.

Prevenir é o melhor remédio

Como sempre, o melhor é prevenir, desenvolvendo na criança pequena a sociabilidade. Durante os três primeiros anos de vida, para ser sociável o fundamental para um filho é que possa confiar nas pessoas que o rodeiam. Se a criança cresce em um ambiente seguro e confiável desenvolverá uma atitude positiva frente aos outros.

Por outro lado, alguns jogos são especialmente indicados para desenvolver a sociabilidade. Por exemplo, através das bonecas, as meninas aprendem simbolicamente a relacionar-se com os demais: conversa com elas, lhes dão de comer, organizam festas. Isso lhes serve de treinamento para a vida social. Outros jogos de tipo simbólico como as cozinhas, os supermercados, servem para ampliar esta capacidade.

A partir dos 8 anos surgem os “amigos íntimos” ou “especiais”. Um amigo íntimo proporciona segurança a nosso filho e pode supor um complemento muito benéfico para o desenvolvimento de sua personalidade. Um bom amigo faz crescer a autoestima da criança e pode ajudá-la a perder a timidez ante outros grupos ou diante dos companheiros de classe.

Outras dicas para te auxiliar no que fazer:

– evite atividades que favoreçam o isolamento: ofereça-lhe alternativas para preencher o tempo livre, além da televisão e do computador: o esporte, o contato com a natureza e a participação em organizações juvenis, podem ajudar-lhe a desenvolver melhor sua sociabilidade.

reforce suas condutas sociais positivas: quando a criança se mostrar generosa, por exemplo, deve ser elogiada.

– eleve a autoestima e a autoconfiança da criança: ajude a criança a se livrar de complexos. Mostre a elas que usar óculos, por exemplo, é algo comum e pode dar um up no visual.

– passe um tempo com seu filho: não basta estar presente fisicamente. O fundamental é dedicar um tempo com qualidade, brincando e conversando com o filho solitário

explore os talentos: com a ajuda do (a) professor (a), explore os talentos do seu filho solitário em aulas de teatro e oficinas de arte, na produção de um jornal ou em pesquisas de laboratório. As atividades servirão de ponte para aproximação com o grupo.

– elabore perguntas que o leve a falar das emoções: como você reage quando um amigo perde a calma e fica agressivo? Como você se sente quando briga com um amigo? Você consegue falar de seus sentimentos para outras pessoas? Para quem você contaria um segredo? Falar dos sentimentos pode ajudar o filho solitário a se sentir mais a vontade para se livrar das emoções ruins e começar a interagir mais.

– estimule a sociabilidade: estimule e leve o filho solitário para brincar em parques, clubes e outros locais onde ele possa ter contato com outras pessoas, para que assim, caso se sinta a vontade, possa interagir com algumas delas. Se ele preferir ficar em casa, permita que se sinta à vontade para convidar os amigos.

Não se esqueça:

A solidão do seu filho também pode ser um momento apenas, afinal, há dias em que preferimos ficar quietinhos. Porém, se a situação for permanente, é preciso conversar com o (a) professor (a) e definir estratégias para ajudar a criança em casa, na escola e, se for necessário, buscar ajuda profissional.

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